31 de outubro de 2015

Vale night

Roberta se olhava no espelho e passava batom enquanto o filho assistia à televisão e o marido lia no sofá. Aos quarenta anos, dez de casada, a mulher já tinha perdido qualquer pudor em usar batom vermelho. O marido, ao ver a mulher pronta fez uma cara de “você está linda e estou com ciúmes, mas estou gostando” que ela adorava. Aliás, um joguinho entre eles: ela se arrumava e ele admirava. Gostava de ver a mulher bonita e pensar “é toda minha”. Roberta se divertia com o deleite do marido. A mensagem no celular de Roberta avisou que as amigas já estavam na portaria do prédio esperando-a. Esta noite a mulher iria sair enquanto o marido ficava em casa com o filho. Ela nem se lembrava a última vez em que fez algo do tipo. Depois de várias taças de espumantes, as amigas decidiram esticar a noite em uma boate não muito longe do bar. Afinal não é todo dia que esses encontros acontecem. Um lugar bem pequeno, escuro e quente. Cheio, bem cheio. A faixa etária do lugar, Roberta observou de imediato, era um pouco abaixo da sua. Barbudos (ela não sabia que estavam na moda!), moderninhas malvestidas, mas ainda assim, uma diversidade interessante de cheiros e cores e formas. A música estava ótima e Roberta aproveitou para dançar tudo o que seu marido não dançava. De repente, num rodopio mais ousado na pista, ela viu um casal bem ao seu lado, encostado na parede. ” Uau! Eles estavam se agarrando! ” As pernas do homem encaixadas nas pernas da menina, aqueles beijos no pescoço e as mãos dele entravam por baixo da saia dela. Roberta ficou tensa. Bem, tensa não seria a palavra exata, talvez excitada seja mais adequada para o que estava sentindo. Foi ao bar comprar água. Quando voltou deu de cara com duas mulheres lindíssimas dançando uma coreografia sexy e se beijando. Roberta ficou com as bochechas quentes e seu corpo todo arrepiou. Ela percebeu que, inesperadamente, a música mudou e tudo ficou muito sexual naquele lugar. Uma atmosfera cada vez mais quente embriagou Roberta. “Será que só eu estou sentido este cheiro de sexo no ar? ” A mulher se viu rodeada de corpos suados, mãos atrevidas, lábios, nucas. Sentiu que alguns homens, e, também mulheres, tentavam uma troca de olhares, mas Roberta sinalizou com negativas. Não estava preparada para aquilo que, mais parecia um filme, uma dança antiga onde as regras e a sociedade eram infinitamente mais avançadas, ou corajosas. “Aquele lugar foi transformado num estalar de dedos em um oásis de liberdade ou libertinagem?!” Roberta viu perto do caixa um homem e uma mulher, ela já sem a blusa e ele com as calças abaixadas. “Eles vão transar aqui?!” Ela reagiu com horror nos três primeiros segundos, mas após o susto sentiu muito desejo naquela cena. Andou um pouquinho meio trôpega e viu uma moça bonitinha indo em direção ao casal exibido. A moça começou a beijar a outra enquanto suas mãos se estendiam em sentido à coxa do homem. Roberta apoiou a cabeça nas mãos e sentiu seu corpo estremecer e a cabeça a girar. “Que libertação! Essas pessoas não se sentem envergonhadas? ” Ainda um pouco atordoada se sentou em um banco perto do banheiro. Respirou. Tirou uma neosaldina de dentro da bolsa, tomou com um gole grande de água. Então fez como uma câmera fotográfica e, num ângulo panorâmico, enxergou todo aquele lugar. Roberta quase engasgou quando percebeu que praticamente todas as pessoas estavam se beijando e se acariciando e tantas outras até um pouco mais que isso. Os dois homens que ela tinha achado charmosinhos estavam se pegando bem em frente a escada enquanto duas ou três pessoas os observavam. Aquelas mulheres bonitas agora eram dois casais. Lindas e se beijando como se não houvesse amanhã. O barman, deitado em cima do balcão, abraçava duas mulheres seminuas, uma em cada lado, e protagonizavam um ardente beijo a três. Pii pii pii. Roberta levanta a cabeça e abre os olhos assustada. Está suada, em sua cama. O celular arrancou a mulher daquele lugar no meio da madrugada. Ela olha para o lado e vê seu marido dormindo. Subitamente aquele sonho passa como um raio em sua mente e faz sua respiração acelerar. Coberta de suor e excitação, Roberta desperta o marido de um jeito atrevido e os dois começam a transar enlouquecidamente, o que se estende pelo resto da noite. Ela e o marido, há muito tempo, não têm uma noite tão quente. Na manhã seguinte o marido acorda cedo, traz o café na cama e recomeçam. Deliciosa realidade.

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