24 de setembro de 2015

Lola e Artur - Queime depois de ler



Atenção. O que você vai ler agora poderá deixá-la nervosa, enjoada ou louca para transar. Vou contar sobre o relacionamento de Lola e Artur, mas, já aviso que esta, definitivamente não é uma história de amor. Lá estava Lola, com sua roupinha de ginástica e rabo de cavalo na fila da padaria pensando no final daquele filme de ontem. Ainda na fila, olhou para a loura que esperava no balcão de frios e fez uma comparação rápida de como os anos foram mais cruéis com a moça do que com ela. Sempre ouvia “está ótima para a sua idade”, mas tinha alguma dúvida se aquilo era um elogio.

Já abrindo a porta do carro, resolveu voltar e passar na locadora no outro lado da rua. Sim, ela ainda é da época de locadora de DVD e acha muito cool não perder antigos hábitos. Foi lá que viu Artur pela primeira vez. Altíssimo, cabelos ligeiramente cacheados (alguns anos a menos que ela), com tatuagens espalhadas pelo corpo - lindo. Bem, se Gabi, amiga da Lola estivesse ali diria “Credo! ”. Lola riu com os olhos só de pensar na expressão de horror da amiga. Realmente Artur não era o perfil de homem que mais lhe atraía. Ele estava atendendo a um cliente (percebeu que Artur era o dono da locadora) e ela não conseguia tirar os olhos dele. Artur até percebeu, mas fingiu que o interesse dela estava em sua explicação sobre “Interestelar”.

Com o coração na garganta e as bochechas quentes, Lola foi pegar água no bebedouro. “Isso acontece só com adolescentes?!” A mulher estava com a cabeça e cada célula do seu corpo abalados. Pensou, (ela sempre pensava, e logo agia como quem não pensa) olhou a sua volta e abordou Artur. Perguntou sobre alguns filmes. “Como ele é educado apesar de pouca idade! ” Ela nunca imaginou que fosse se interessar por alguém como ele. Para uma mulher resolvida e de bem com a vida como Lola, que mal faria um pouco de emoção! Não me pergunte como e nem me fale que talvez tenha sido precipitado. Lola não gosta de dar muitas explicações. ... Fato é que saiu da loja com o número dele! Quando o seu coração vibra daquele jeito, ah! Nem o céu é o limite! E ela já não sentia seu coração, nem seu corpo com tamanha euforia há um bom tempo. 

Enfim, o que sei (e só posso contar o que me foi dito) é que em duas semanas de conversa no WhatsApp, Lola marcou o primeiro encontro. Ela já estava na idade de saber que o melhor da festa é esperar por ela e blá blá blá. Só que Lola nunca, nunca mesmo foi daquelas de sorver o momento delicadamente. Sua vida é e, será até o túmulo, (ela quem disse isso em um email) de entrega total, até a última gota. Combinaram num sábado à tarde. Foram a um Café. 

Ela foi de água com gás e ele suco de caju. Conversaram sobre amenidades e se beijaram já na saída e cada um foi para sua casa. Essa noite Lola quase não dormiu. Excitadíssima e tensa. Ele não tinha nada a ver com ela. Marcaram novo encontro. E desta vez com muito sexo. Artur não bebe, não fuma e sabe exatamente onde beijar. Pescoço, costas, barriga. Ele beijava e Lola gemia. As mãos grandes e ásperas de Artur atravessavam os limites das roupas e roubavam arrepios em todo seu corpo. Ele tocava cada milímetro de Lola e era como se filamentos de eletricidade ascendessem locais desconhecidos, ou disfarçadamente salvaguardados até então.

Seus dedos e língua passearam por coxas, umbigo, bunda, pegando atalhos sem qualquer censura ou pudor. Seus corpos se chocavam - coincidiam em ritmos frenéticos, suaves e desconexos. Três, cinco, nove...Lola não conseguiu contar os orgasmos daquele dia, mas tinha evidente certeza que queria mais daquilo tudo. Lola era outra pessoa. As amigas até comentavam. Os encontros com Artur estavam a cada dia mais intensos, mas o vínculo entre eles se restringia às mensagens do celular e uma ou duas noites por semana em sua casa. E a frágil relação fora da cama se compensava com a combustão do desejo. Horas de sexo puro. Muitos orgasmos. Sim, poderia ser algo romântico e para sempre – em outra encarnação. 

Lola sabia que Artur jamais seria seu namorado ou companheiro. Simples assim. E é claro que ela sofria com isso. Está no DNA das mulheres! Não há como não sofrer. Bem, mas eu já havia alertado que a história de Lola não é nem de perto um conto de fadas! Mesmo porque eu duvido muito que alguma princesa ou fada tenha uma vida sexual tão deliciosa quanto a dela. Uma noite Lola e Artur estavam trocando mensagens no telefone e a conversa foi ficando quente, com trocas de fantasias eróticas e até algumas fotos sensuais, quando Artur disse que gostava de ser dominado na cama. Lola leu aquilo e enviou a mensagem diretamente ao hipocampo (aquela estrutura no cérebro onde ficam guardadas as memórias). 

Dormiu, acordou. Logo cedo mandou uma mensagem para Artur: “é de uma dominadora que você estava falando? Você gosta de ser comandado e castigado?” Tantas e tantas coisas passaram pela cabeça de Lola! Não sabia nada sobre o assunto. “Ele fazia parte de uma seita que reúne pessoas doentes? São essas coisas que acontecem só em filmes?” Lembrou de “De olhos bem fechados” e deu uma gargalhada alta. Ela é fã do Kubrick. Foi para a internet pesquisar ansiosa e excitada. Aquela declaração de Artur veio de forma tão louca e ao mesmo tempo soou tão natural, tão humana. 

Afinal o que é sexo? Para Lola, um encontro de corpos. Amor e paixão fazem parte, mas não estão sempre juntos. Lola já estivera com ótimos parceiros, e já foi apaixonada por homens de poucos recursos sexuais (não estou falando de anatomia, certo?!) Apesar de ter se sentido ingênua diante de uma pessoa tão mais nova, a mulher ficou interessadíssima naquilo. Bondage, submissão, dominação, disciplina – algumas palavras que nem existiam no seu vocabulário, e, agora uma porta foi aberta para um mundo totalmente desconhecido de Lola. Sem qualquer relutância, Lola se entregou de corpo e mente nesta misteriosa e inédita dimensão sexual. O próximo encontro estava submerso em um clima extremo de malícia. Lola já estava ciente do seu papel e o que fazer. Ela, a dominadora, ou dominatrix, é quem vai mandar e comandar o seu submisso. E ele, como bom submisso, vai obedecer. “Pode tirar a roupa e sentar!” Foi sua primeira ordem! Entrou no banheiro, respirou, se olhou no espelho e pensou. “Acho que nasci para isso!” Deu uma risadinha e voltou para a cena. Artur foi amarrado com uma fita de cetim preta e Lola, de lingerie de renda preta se sentou em cima dele. Olhava dentro dos seus olhos buscando algum motivo consciente para tudo aquilo. Ele não emitia qualquer som ou expressão (ele realmente não era do tipo falante). Lola, a dominadora, ainda olhando fixo para o rosto de Artur, acertou um tapa em sua bochecha. Nada. Nem um ruído. Lola estava borbulhando por dentro. Algo jamais sentido estava tomando seu corpo e sua cabeça. Outro tapa, agora um pouco mais forte. Outro e outro. “Isso é totalmente libertador! Nunca me senti assim!” Então Lola continuou. Foi a vez da vela. Derramou aquela parafina nas costas, barriga, virilha e adjacências de Artur. Ele ainda amarrado e seus olhos hipnotizados não se desviavam dos olhos dela. Lola sentia tudo. Artur sentia tudo. Era como se estivessem num outro plano, um estado alterado de consciência. Lola deu banho em Artur como se ele fosse um boneco e ela estivesse brincando de casinha. 

Depois o fez se ajoelhar e mandou-o beijar seus pés. Artur muito obediente seguiu direitinho aos comandos de Lola. Então fizeram o mais quente sexo da vida dos dois e se despediram com um beijo demorado. Essa foi a última vez que Artur e Lola se viram. Na semana seguinte Lola reencontrou um antigo namorado e os dois resolveram tentar mais uma vez. Artur continuou em sua locadora por algum tempo, mas decidiu colocar a mochila nas costas e se perder pelo mundo. A última notícia que tive de Lola, poucos dias antes de escrever esta história, foi que ela estava em Londres atendendo à riquíssimos executivos em sessões de dominação. Os homens mais ricos da Europa visitam Lola para se submeterem a tudo aquilo que a enche de prazer e dinheiro.

Um comentário:

  1. Adorei! Mais Uma colunista para enriquecer Nosso blog! Um successo!!!

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