31 de agosto de 2015

UNA OS PONTOS E VEJA A FIGURA COMPLETA - Reflexões ao pé da arara




Não sou feminista e nem acredito na igualdade dos sexos. Homem é homem, mulher é mulher. O que acredito é que todos os seres merecem amor, respeito, compaixão. Independentemente de serem machos, fêmeas, homens, mulheres, outra opção, cão, gato, formiga, etc. Mas há um fenômeno estranho por aí, há uma agressividade no ar. E quem é fisicamente mais forte, em geral? O homem. Quem pode usar da força física para intimidar? O homem.

Vamos por partes. Acho que a nova geração masculina está sofrendo muito, está super-confusa sem saber mais o que é esperado que façam e que não façam. As mulheres estão alçando voos cada vez mais altos e, por vezes, atropelando os pobres dos rapazes, arrancando a masculinidade deles com o bico. Isso é problemático e as consequências de uma geração com desequilíbrio de poder baseado no sexo são bem visíveis. Que o digam as mulheres que sofrem discriminação. Enquanto isso, os homens de uma certa idade estão passando também por problemas semelhantes. Eles são fruto de uma geração em que mulher "sabia seu lugar". Hoje, as mulheres sabem qual é o seu lugar: em todos os lugares. Enquanto isso, esses homens estão envelhecendo e perdendo o poder, consequência do envelhecimento. Só que são da época em que valia a força bruta e a opressão, "a última palavra é minha", e precisam colocar a culpa da perda do poder em algo pra ficar mais fácil lidar com ela. Freud explica. Como não li Freud, na minha opinião a perda do poder dessa geração masculina e o medo dessa perda são grandes responsáveis pelo aumento da agressividade assustadora atual.

Um exemplo: um prédio cujo ex-síndico (homem) ficou no cargo por muitos e tantos anos. Há poucos anos, houve nova eleição e um novo síndico tomou posse. Não, uma nova síndica com auxiliares também mulheres tomou posse. Foi aí que a coisa se complicou. A nova síndica, uma pessoa educada e bem-intencionada, queria fazer algumas reformas que há anos não eram feitas. Propôs. A turma antiga (homens, digamos entre 50-70 anos) não gostou. Barrou. Criticou. Condenou. "Lobbeou". A síndica se manteve forte, conseguiu adesões, conseguiu fazer algumas mudanças. A turma antiga se enfureceu. A coisa se complicou mais. Vencida a palavra, partiram para a força bruta. Intimidação. Ameaça. Dedo na cara. Boatos. Acusações. Vaca e outras coisas. Um morador que foi proibido de usar o elevador do prédio há vários anos porque o usava para fins comerciais resolveu agora "reconquistar meu direito". A síndica está cansada, decepcionada, desiludida.

Outro dia, uma moradora e sua filha foram intimidadas na porta desse prédio porque a filha reclamou com um morador e membro da antiga administração do prédio do barulho que o neto dele de 10 anos faz até meia-noite, uma hora da manhã, toda noite, há 2 anos. O intimidador, tio da criança que nem mora no local, disse: "Meu pai ficou muito nervoso". (Com certeza porque ofendeu a mãe e a filha que foram lá com o maior tato e gentileza conversar com o morador). "Quando você for embora, vou infernizar a vida de seus pais". Pais que estão na faixa dos 80. Se em vez de mãe e filha fossem pai e filho na porta do prédio, teriam sido ameaçados assim?

Na mesma semana, uma mulher de 70 e tantos anos saía do Mercado Central. O sinal para os carros fechou e ela começou a atravessar. Um carro avançou mas teve que parar no cruzamento. Quase atropelou-a, que se assustou e reagiu batendo no carro  do motorista. Não que ela estivesse certa ao fazer isso, mas foi uma reação ao susto e ao quase atropelamento. Quando o vidro escurecido abriu, o motorista era uma motorista que disse as maiores barbaridades para a pessoa que ela quase atropelou. Chamou-a de "velha" e mais coisas. Se fosse um "velho", um homem mais alto e forte, ela teria feito o mesmo? Por que ela acha que não tem problema ofender uma mulher mais velha? E os filhos dela que estavam no carro, que lição aprenderam?
Por isso, acho errado pais xingarem, na frente dos filhos, uma mulher usando palavrões horrorosos como meio de "protesto". Não me lembro de ter visto nenhum homem público ser xingado assim antes. Nem o suíno. Nem os traficantes com sobrenome.

As pessoas estão reivindicando o direito de opinar e se esquecendo de duas coisas: do respeito à opinião alheia e da ação e reação. Tudo que você faz afeta, de uma forma ou de outra, alguma pessoa, o ambiente, o mundo. Se você joga uma casca de banana na rua, alguém pode escorregar e se machucar. Pode ser até um parente seu. Se você desrespeita uma idosa na frente de seu filho, quando você estiver com seus 70 anos talvez seu filho faça o mesmo. Se você xinga uma mulher que, fisicamente, é mais fraca, quem garante que sua filha não apanhará do namorado? Porque o namorado também viu a mãe sendo agressiva com outra mulher e aprendeu a lição. Tudo que vivemos está conectado com o que outras pessoas vivem, com o mundo, com tudo. O erro é achar que podemos fazer o que quisermos sem que nossas ações afetem outras pessoas.

A agressividade está lá fora e aqui dentro, mas culpar uma única pessoa não é a solução. Culpar uma única situação não é a solução. A solução é a compreensão de que todos queremos ser felizes, todos sofremos, todos somos ignorantes da natureza real da nossa existência; de que tudo que fazemos tem consequência; e que todos merecemos amor e respeito. Todos. Porque a partir do momento  que a gente achar que uma pessoa "merece" ser xingada, caluniada, ameaçada, desrespeitada e agredida, por pior que ela seja, estamos nos igualando a ela. Estamos dando exemplo a crianças e perpetuando uma situação. Aí a coisa não vai ter mesmo final feliz.


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